Mobilidade Urbana

Prefeito de Manchester considera retomar o controle dos ônibus

Passageiros aprovam. Porém, quem opera as linhas talvez seja menos importante do que o quanto as rotas estão congestionadas

Autor: The Economist | publicado em 31 Janeiro de 2019

Tradução: City 4US

Existe uma coisa em particular que moradores de Manchester adoram se queixar: os ônibus. A linha número 43, que circula no que é considerada a rota mais movimentada da Europa, está longe de ser adorada. Dentro da linha, um estudante reclama que o tempo de viagem triplica no horário de pico. “Eles estão sempre mudando a rota – nunca para melhor,” diz a enfermeira que trabalha em um hospital nas redondezas. Ao menos está mais fácil para encontrar um lugar para sentar esses dias, eles dizem – tendo em vista que os passageiros estão migrando para outros modos de transporte mais rápidos.
Andy Burnham, prefeito de Manchester, está entusiasmado para encontrar uma alternativa que reverta o gradual declínio no número de passageiros nos ônibus que circulam na cidade (confira no gráfico). Em janeiro desse ano, dez conselhos (pode ser entendido aqui como prefeituras) que compõem a Autoridade da Grande Manchester (Greater Manchester Combined Authority – GMCA) aprovaram um aumento no imposto municipal com objetivo de subsidiar um estudo detalhado de opções para reformar o sistema de ônibus. Uma das estratégias que o prefeito está considerando é de regularizar novamente os serviços de ônibus, trazendo-os de volta para o controle do poder público. Caso isso seja feito, a cidade será a primeira a usar a nova lei que garante poder de concessão de serviços de ônibus para  prefeitos.

Na última década, as viagens realizadas por ônibus fora da capital sofreram grande declínio. Desde 2009, o número de viagens por ônibus em Manchester reduziu em 14%. Austeridade tem desempenhado um papel importante no desenho desse cenário. Autoridades municipais tanto na Inglaterra quanto no país de Gales reduziram em 45% o subsídio para os serviços de ônibus desde 2010, o que resultou no corte ou desativação de 3.347 linhas.

Regularizar novamente poderia ajudar a reverter parte do declínio, argumenta Pascale Robinson da Better Buses for Greater Manchester. O número de passageiros em Manchester reduziu em 40% desde que as linhas de ônibus foram entregues para operadores privados em 1986. Enquanto isso, em Londres, onde a regularização permaneceu, o número de passageiros dobrou. Deixar a GMCA gerenciar o sistema poderia atrair passageiros de volta através da coordenação da oferta do serviço ao longo do dia e do oferecimento de esquema de bilhetagem para linhas operadas por diferentes empresas.

O argumento tem popularidade entre os usuários. Todavia, não é uma alternativa mágica, argumenta David Brown, chefe executivo da Go-Ahead, uma empresa de ônibus. Na área central de Londres, o número de passageiros tem reduzido consideravelmente quando comparado com outras regiões. Belfast, onde o mercado de ônibus nunca foi desregulado, tem apresentado queda na demanda seguindo os mesmos padrões que Manchester. Brown argumenta que a regulação também não poderia dar conta com mudanças na demanda por viagens por ônibus. Embora o número de viagens por motivo trabalho tenha permanecido estável, àquelas relacionadas à compras e lazer reduziram. O declínio das ruas com forte comércio e o crescimento de entregas em casa tem aumentado o número de viagens desnecessárias.

Um elemento chave para reduzir de viagens de automóvel ou táxi é aumentar a velocidade dos ônibus, diz David Begg da Universidade de Plymouth. O aumento de congestionamentos, causado em parte pela proliferação de serviços de entrega realizados por van e uber, estão reduzindo a velocidade dos ônibus. Segundo dados da TomTom, a média de atrasos causados por congestionamentos em cidades britânicas aumentou em 14% nos últimos 30 anos. Manchester está  seriamente afetada: atualmente, a linha 43 tem seu tempo de viagem 80% maior no horário de pico do que há 30 anos atrás. A velocidade média dos ônibus da Stagecoach (empresa que opera no Reino Unido e América do Norte) caiu 4.9% entre 2014 e 2016. Uma rota que há 7 anos atrás levava 9 minutos, agora dura 27 minutos.
Implantar faixas dedicadas à ônibus ou priorizá-los sobre o tráfego geral poderia ajudar, diz Giles Fearnley da First Bus, um grande operador em Manchester. Vantage, um serviço diferenciado de ônibus que conecta Leigh à Manchester teve aumento de quase 140% no número de passageiros semanais desde sua inauguracao em 2016. Outras políticas que tornam o automóvel menos atrativo, como por exemplo, estacionamento mais caro ou a aplicação de taxas de congestionamento, poderia contribuir para aumentar a demanda de passageiros. Porém, desde que o referendo local realizado em 2008 rejeitou a aplicação de taxa de congestionamento, políticos têm mostrado pouco interesse na ideia. Com 70% dos moradores de Manchester utilizando automóvel diariamente para se deslocar ao trabalho, fica fácil de ver o porquê.

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